por Coser · 12 de outubro de 2026 · Histórias do Premodern

PRÓLOGO: O PASSADO

Richard Garfield tinha um sonho, ou, no mínimo, uma “intenção”, como falam por aí.

O maravilhoso mundo do Magic, The Gathering que fez parte da infância e adolescência de muitos que nos leem, jogado em sua essência. Goblins, Elfos, Minotauros, Cabritos duelando pelos pontos de vida dos “magos” que os controlavam (veja só, o termo “planeswalker” até existia, mas não era bem o que conhecemos hoje). O jogo evoluiu, a criatura Richard já não estava à frente de sua criação e a dura realidade de uma indústria e de um público que demandava cada vez mais, culminou no Magic atual. Não vou me alongar demais nesse tópico, pois se você está lendo um blog de Premodern você sabe bem o que aconteceu com nosso amado jogo: WotC foi vendida, o jogo aparentemente era demasiado complicado e começou a era do F.I.R.E. Design, os “Universe Beyond” que antes eram um jogo à parte, passaram a ser canônicos, Commander praticamente virou o jogo padrão e os formatos eternos foram deixados de lado e…

No meio dessa bagunça toda, o sueco ex pro player Martin Berlin, também teve um sonho: que tudo voltasse à era de ouro do jogo de cartinhas que ele tanto amava e pensando “eu tenho as cartas, o jogo já existe, e se eu criasse meu próprio formato?”. Enquanto a WotC deixava claro que formatos sem rotação manter-se-iam inflando a cada nova coleção e a cada nova UB ou Modern Horizons, continuariam a quebrar e remontar o formato como se trocasse de sleeve, o Premodern é concebido.

Richard Channing Garfield Jr. Ph.D – “In Groselha We Trust”

Troca pro meu recorte pessoal nessa história:  comecei nas drogas no jogo em 2002 e entre idas e vindas, mais focado no Magic de cozinha do que competitivo e de vender e recomprar coleções durante décadas (pior que é verdade, “décadas”, escrevendo isso agora parece que sou um ancião) chego no final de 2023 e decido voltar de vez pro Mtg. Vou pra lojinha jogar Legacy, o formato com o qual eu estava mais habituado às cartas, e aí me deparo com algumas peculiaridades: um goblin com sticker que gerava 17 manas por turno, uma coleção do bloco de Unglued que era válido, uns tal de planeswalker que batiam em campo e ganhavam sozinhos, uma carta que na verdade era uma dungeon e aí “do neida” eu virava o Monarca (e não era aquele maluco do Flow) eu não sabia mais o que estava acontecendo. “Era isso que o Magic tinha se tornado?” eu me perguntando isso enquanto só observava um cálice pra 1 no T1 com meu deck todo CMC 1.

Eis que scrollando na grande rede, no aplicativo de fotos, vejo umas pics de decks bonitos, oldframes, e um link pro grupo de whatsapp que possuía não mais que 50 cabeças, jogando aquele formato maravilhoso em São Paulo.

Descobri que aquela galerinha do barulho se reunia 1x/mês pra jogar (não tínhamos ainda os semanais), tirei meu Deadguy Ale da caixa de sapato e fui ser feliz.

Meus olhos encheram de lágrimas quando joguei uma partida de uns 30 turnos contra um “The Rock” e fechei 4-1 na primeira LPP que joguei. Enfim, havia achado minha galera. Mas eu queria jogar mais… tinha muita vontade acumulada aqui e após alguns meses finalmente conseguindo incluir loja a loja nos circuitos semanais veio o “backlash” com o esvaziamento das LPPs (leia o ótimo samba-report do meu mano Manolo para maiores detalhes aqui: https://groselhacrew.com.br/2026/09/30/premodern-onde-a-vitoria-demora-mas-vem ).

A LPP que ainda era o bastião do player comum, proxy-friendly e daqueles que esposa não deixava não conseguiam colar nos semanais, não podia morrer. Em meio a discussão sobre como seria legal um formato dentro do Premodern só com temática tribal, criamos um grupo para organizar o Tribal Wars (em breve um post dedicado somente a essa joia) e daí com o sucesso da primeira versão desse torneio e de ter sido muito positiva “trabalhar” com aquelas pessoas, eu sabia que precisávamos de um grupo de trabalho pra coisa funcionar melhor, uma identidade, uma CREW.

WE ARE LEGION

Ok, somos uma “crew”, agora qual nome? Inspirados pelos gringos do Impulse e Duress Crew, vieram algumas ideias mais sóbrias no mesmo estilo, “Hypnotic Crew” foi uma delas, mas eu particularmente não queria que fôssemos levados tanto a sério, e o termo “Groselha” que, segundo o dicionário premoderniano, significa “deck meme, divertido e não-necessariamente-bom” já era largamente utilizado entre os jogadores e sem ter um nome inglês muito popular (o equivalente em inglês seria currant ou gooseberry). Então, chegamos ao abrasileirado nome GROSELHA CREW.

A partir daí fomos dividindo algumas funções. Manolo e Perez mantinham a LPP, depois Jadi ajudou durante um período, Pedrão compilava dados e planilhas, Roseira se mostrou um exímio artista desenhando à mão todos os Tokens (sim, aquilo não é IA, foi papel e lápis). Rofellos, o famoso tio da Van de Jundiaí, mantinha sua vasta experiência como deck builder emprestando deck pra quem quisesse e fazia as tão desejadas altereds de Top 8. Arthur fez nossa logo e dividia as postagens do Instagram junto do seu perfil internacionalmente conhecido Rupert_Mtg e durante um tempo, eu tocava o canal mais legal do YouTube, hoje o Pedrão assumiu a funça. Muitos nomes, inclusive no backstage: Kala, Fuzzy, Zoio, Lucca, Clayton, Bitner… alguns desses já não estão ativos, recentemente novos nomes chegaram (se você vir o Flávio pedindo lista do Top8 nos grupos todo dia, o mínimo que pode fazer é colaborar, não pagamos nada a ele por isso, risos). Importante também dizer que essa “Crew” não é do fulano A ou B, a real é que se você joga Premoderm você, direta ou indiretamente, faz parte dela, sem exceções talvez só não o mané que derrubou a live do nacional. E assim vamos trocando o pneu com o carro andando, todos voluntários, ajudando de alguma forma ou de outra, com o mesmo objetivo: fomentar e promover o formato da comunidade para a comunidade!

Tokens Groselha Crew By Felipe Roseira – ítens também colecionáveis, com arte e lore própria

EXEMPLO REVERBERANTE

O tempo passou, os semanais se espalharam como uma Praga Fabricada e até a LigaMagic abraçou o formato por sua popularidade. A LPP, com essa nova injeção de ânimo e trabalho focado, passou a não mais ser só um grupo de amigos ligando uns para os outros para confirmar que iriam, pois passamos a ter 30-40 players organicamente disputando a tapa quem pegaria vaga para a grande final ou quem sairia de lá com um dos boosters e altereds que fornecíamos como premiação (um salve ao Joven Hood que foi um dos primeiros patrocinadores da LPP).

O Nacional Premodern aconteceu no final de Agosto de 2026 e foi um sucesso instantâneo, consolidando-se como o terceiro maior evento de Premodern do fucking mundo. Um salve a Claudinho, Francês, Ferri e demais envolvidos, incluindo os patrocinadores Epic, Central e tantos outros. Já queremos nos inscrever pra 2027.

Exemplos de cartas alteradas por Ricardo Rofellos, todas conquistadas pelo nosso amigo meio forte Vitão Silotto.

FUTURE SIGHT


Pois bem meu caro amigo cartinheiro, essa história não para por aí. A cada etapa, a cada evento, a vontade de crescer e fazer mais também aumenta. Não vou me aproveitar desse período de eleição para prometer nada, mas saibam que o Groselha Crew, como vocês já conhecem, está passando por algumas mudanças substanciais, se organizando e expandindo para entregar à comunidade aquilo que ela merece: um Magic raiz, groselhento e competitivo ao mesmo tempo, algo tão sonhado por Gardfield e adaptado por Martin.

Obrigado pelo ótimo jogo, Wizards… nós assumimos daqui.

Nosso Baphominho ainda encontra-se perdido. Alguém o viu por aí?

Respostas de 7

  1. Meu tribal tá montado já. Um prazer ser citado nesse texto e ajudar amigo! Eu juro que tô tentando me inspirar para escrever.

    Cheers,
    Bitner

  2. Pelas minhas conversas com outras comunidades no LC, o Premodern tem uma curva de crescimento bem parecida em todo lugar. Há o boom inicial de empolgação, depois uma queda e, se a comunidade persistir, vem o segundo boom e a prosperidade, que é o que estamos vivendo agora. O lugar onde mais se joga premodern no mundo!

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