Oi, meu nome é duh Bellotto e se você acompanha a cena premodern de São Paulo você deve me reconhecer como aquele cara que joga com as lands em cima das permanentes, não embaixo, afinal, era assim nos anos 90. Vem dessa época minha predileção por decks que não sejam do Tier 1 (afirmo que ninguém mereceu jogar tipo 2 contra Academia Tolariana). Não seria no premodern que eu iria mudar minhas tradições.
Minha idéia neste post é mostrar como fui evoluindo a ideia do deck etapa a etapa (entre lpps, trials, nacional e alguns semanais) e de como partindo de uma lista praticamente meme e incorporando alguns pontos de outras listas, fui deixando o deck com a minha cara e que, em sua vigésima quinta versão, finalmente me garantiu a tão cobiçada cartinha de campeão de uma etapa de LPP.
A história deste deck começa no ano passado, quando em um semanal de sexta na Bazar enfrentei meu amigo Pedro Rodrigues e seu deck de Pokemon, conhecido também como dreadless dredge. https://moxfield.com/decks/uXvjnUIfN0WtCfAcE-LMSw
Eu estava de Zoo e as partidas foram divertidíssimas. Ele me contou que tinha feito 4-0 na Epic na mesma semana e após o jogo, enquanto degustava uma pizza oferecida pela casa, comecei a colocar as cartas do deck no carrinho de compras. Lojistas acostumados a meus pedidos, vamos dizer assim… não ortodoxos, nem desconfiaram que eu torrei toda minha premiação em cartas sem sentido. Mirei nos Familiares de Ertai a R$4,99 e nem desconfiei que na verdade o grande negócio naquela época foi usar 80 reais de créditos por 4 Krovikan Horrors.
Eu gostei do deck e fiz diversos testes, mas não sentia que o mesmo era consistente o suficiente para eu me arriscar por aí. Era divertido metade das vezes e eu queria algo com pelo menos 70% de chance de eu não me frustrar.
Então pensei em montar o UB Infestation (https://moxfield.com/decks/h0ikdP5ytE-MnKRXmDU0WQ), finalista do campeonato Italiano, e graças ao Pedrão não precisei me preocupar com os spikes do Horror Krovikano. Minha ideia seria mudar o suficiente da lista para encaixar algumas cópias de Shadow Guildmage, criaturinha essa que eu realmente acredito que possa fazer sucesso no meta atual. Meu único obstáculo era a falta de intuitions, mas como havia um caos draft entre amigo marcado há algum tempo, pensei que lá conseguiria algumas cópias emprestadas.
O que eu não contava é que no dia desse draft, meu grande amigo Fabinho levaria suas pastas e eu vi 4 survivals ali dando sopa. Como ele não iria usar mesmo, desisti dos intuition e peguei as sobrevivências emprestadas e pensei: agora tenho até tutor para os maguinhos e minha primeira lista ficou assim: https://moxfield.com/decks/k5IRfI0ucky2vbBaQkL_aA
Na sexta-feira véspera do treinão na bazar fui bem feliz com o deck e abri 2-0. A lista prometia muito! Só que na última rodada joguei contra o Ricky Carrara, e ao acabar a partida ele me disse que se eu tivesse jogado pra cima, batendo com tudo ao invés de controlar o jogo, eu teria ganho. Ou seja, eu estava achando que era um deck de toolbox quando na verdade é um baralho de beatdown, estilo esse que me agrada bastante.
Tirei os magos com certa dor, mudei a lista e o mindset para o dia seguinte e fui muito bem no treinão, ficando em segundo lugar com a esta lista: https://moxfield.com/decks/fm_qB7TXjECLnLRsdY708A
Foi durante este torneio que vi alguns pontos importantes e jogadas inesperadas que mudam partidas perdidas. O deck é agressivo, tem sinergia e a survival potencializa muito mais os ataques do que defende contra potenciais ameaças, o que em certos momentos também pode ser oportuno. Gerar a dúvida no oponente de qual encantamento destruir é algo bem interessante deste lado do spellground. Mas o principal insight pós torneio foi mover as firestorms pro maindeck, são cartas chaves e não apenas oportunidades de ocasião. Claro que a ganância de certos oponentes ao comprar muitas cartas com grimório silvestre ajudaram a chegar a essa conclusão (um grande abraço ao meu amigo Zóio por esse ensinamento). Mas limpar a mesa no passo, causar dano direto e no meu turno ter de volta os Squees e horrores, que vão alimentar um mongrel é card advantage demais num formato onde a restrição de recursos tem sido ponto chave em diversas estratégias.
Fora o fato de que em 98 eu joguei muito com o deck “brazillian jungle” (https://moxfield.com/decks/QzK6uoqDJEGdCrs4D0FuSg), top 8 do nacional nas mãos de Sérgio Longo e Marcello Leone, além do Hirokawa que foi removido do top 8 por ter listado o deck errado. Esse deck jogava com 3 Firestorms e alimentava os Barrow Ghouls no early game, tinha winter orb e giant growth, ou seja, o fino do magic como Richard Garfield gosta.
Com a repercussão deste meu resultado, comecei a discutir com algumas pessoas sobre essa lista, mas principalmente perturbei o nosso mestre Ricardo Barros, que me mostrou diversas versões, muitas delas sem birds. Montei esta lista https://moxfield.com/decks/URdcnNHrnU26_b9twTbdYg e mesmo não tendo como ganhar vida em naquele turno que Rogerinho me deu 16 de dano, tive uma ótima impressão do deck. Na semana seguinte no Polar, sem ativar a survival nenhuma vez, fiz 3-1 batendo de squee e ghitu contra camarão e perdendo apenas para Replenish. Mesmo entendendo as vantagens do deck mais lento e com decisões mais complexas, achei que com birds ele fica mais sólido, além do fato deles poderem ser ciclados com as survival. Meu estilo de jogo é mais para ter opções de turno 1, 2 e 3 mais variadas que os birds permitem, além de poder colocar Gloom mais cedo em campo.
Repeti a lista anterior na LPP do Polar mas não fui tão bem. Talvez pela minha cabeça estar no date que eu teria mais tarde eu não tenha ligado da falta de sorte no dia, mas entendi que precisava mudar alguns pontos no deck. Tive outra partida onde firestorm mostrou todo seu potencial contra o Claudinho, e algumas outras jogadas bem interessantes passaram a ser recorrentes, como jogar sem survival e ganhar de mongrel + squee.
Isso me levou a lista de zombie storm https://moxfield.com/decks/dXMA1J-e4k2yA0zEUs3fdQ pro 12k da bazar, onde perdi apenas para 2 jogadores que fizeram top 8 (Jadi de Enchantress e Vitão de Oath Ponza), fazendo top 16 e conquistando 30% de spiciness no mtg decks (obrigado, Stromgald Cabal). Essa lista foi utilizada pelo senhor Adrian Hunter (maior fan do magic brasileiro da atualidade e que atende pela alcunha de Neon Mushroom) em uma série de partidas agora em maio em seu canal. Mas ele jogou como eu joguei no começo, achando que é um deck para controlar enquanto estou (há alguns parágrafos) informando que é um deck para bater mesmo.
Embora os gringos passaram a chamar o deck de ZIMS (zombie infestation madness survival), na minha cabeça zombie storm faz mais sentido. Ninguém deixa as survivals na mesa, fazendo com que os infestation façam dano o suficiente para fechar o jogo com uma firestorm. E para aqueles que também são neurodivergentes, imaginar uma chuva de zumbis pode ser bem divertido.
Nas semanas seguintes eu estive mais envolvido na criação de groselhas e a caça de cartas que dificilmente verão jogo competitivo, além de aprimorar algumas listas de decks tribais, mas tinha certeza que jogaria a próxima LPP de zombie storm. Nessa caça a cartas que podem ser consideradas bem alternativas, acabei fechando um deck de vampiros e me deparei com o vampire hound. Tinha certeza que precisava encaixar ele no deck e coloquei no lugar de um Mongrel. Também por poder usar proxy, adicionei mais um null rod ao Side e a lista que fez top 8 foi lpp da medieval foi esta: https://moxfield.com/decks/xolcpvLjMkidxa6nnraVGw
Nessa etapa o deck rodou muito bem, o que me levou a fazer pequenas alterações para testar em semanais, e a lista foi esta: https://moxfield.com/decks/KKqeAaz4lnOsmxZ7dNhBVg
Para a etapa da lpp da pimpou, realizei diversas mudanças na décima versão do deck. Uma coisa que trago dos anos 90 é sempre ter uma ou duas cartas que o oponente jamais esperaria. Nesta etapa eu fui ousado e coloquei 3, mas foram as pontes que deram a vitória contra o Silotto no top 8 e me levaram a semi-final, perdendo para o Caio de enchantress. https://moxfield.com/decks/2bueAXHSjnCN-2hp0uTl3Q (Infelizmente não cheguei a baixar a terceira carta, o Whirling Dervish).
Em semanais seguintes voltei a testar com o shadow guildmage, fazendo 3-1, mas nao senti firmeza. Também fiz alguns testes com o número de descartes:
Lista 11: https://moxfield.com/decks/ouueASh7xXS_z4pvLXPccA
Lista 12: https://moxfield.com/decks/LzOfAb0eKn24Gnpl1VOMmw
Começando os trials para o nacional, fui seguindo essas listas que se mostraram bem sólidas contra camarão e outros decks de combo, e acabei não conseguindo top 8 na mox vault por bem pouco com a seguinte lista: https://moxfield.com/decks/RXWfAVNCBXyMZ2VMLKhxXw
Fui pra próxima etapa da lpp na bazar com poucas alterações, novamente tentando optimizar o side para tudo, mas buscando alternativas para vencer replenish e enchantress, o que aconteceu. Calming verse não chegou nem a ser testada de fato, e embora eu não tenha feito top 8 com esta lista: https://moxfield.com/decks/53efASvdCXWX5E3Qt_pkTw sai bem satisfeito e pronto para a sequencia de lpps e trials que assim se aproximavam.
No mesmo fim de semana fiz 2 top 8, na mtg brasil, onde a premiação me permitiu pegar mais um null rod e na epic, onde infelizmente os calming verse não me deram a vitoria contra stasis, e me fizeram aposentar-los de ver do deck. Foi nessas listas que troquei o vorme arrogante pelo tentador e os resultados contra mono red passaram a ser mais favoráveis.
Lista mtg: https://moxfield.com/decks/V6qfAeL-L3G41SNN25ZbTw
Listra epic: https://moxfield.com/decks/r7-fAfZhaXajlWYqiLV-9A
Semana seguinte o trial foi na card tutor, mais um top 8 onde acabei perdendo para replenish, onde agora alternate reality passou a ser a arma contra gloom. Gostei da lista, mas novamente era de se repensar. https://moxfield.com/decks/fsWfAaYuhHCpMa-9mbT56A
Não repensei muito e fui um fiasco no dia seguinte na Pimpou, repensando demais sobre algumas escolhas, principalmente no nantuko que voltei a insistir: https://moxfield.com/decks/Jv2fASn5q365mDRAgZg-Bw
Vejam, eu adoro o nantuko vigilante, mas nesse deck ele realmente não me parece uma das melhores alternativas, pois acaba sendo um pouco lento na maioria das vezes.
Com testes feitos com amigos e a uma semana do nacional, acabei fazendo mais um top 8 na bazar com a seguinte lista: https://moxfield.com/decks/9wWgAVKqfnSNMQ567sReTg
Aproveitando meus créditos na Epic, acabei adquirindo um Gilded drake e a lista pro nacional ficou assim: https://moxfield.com/decks/icefASFpvneRaocZ_BCFkA
O dragonete é ótimo contra terragedom, mas não enfrentei nenhum.
Zur’s weirding com os descartes funciona bem demais, mas não comprei nenhuma vez no torneio todo.
Tirando o jogo contra um HFeb q ele muligou pra 4, eu matei o druida e ele me compra um segundo num total de 5 cartas, e nos jogos contra slight e jund que eu não joguei, em geral o deck rodou muito bem, mas meus adversários rodaram seus decks melhor, o que fez com que o resultado de 5-4 não tenha sido de todo mal e a lista começava a se tornar mais consistente.
Eu vou subir a lista que levei pro domingão do atogão mas não vou comentar que fiz 0-3 drop. Eu não ziquei nenhum jogo, o problema tava no player, não no deck. Dia q eu não deveria ter saído de casa mesmo hahaha. https://moxfield.com/decks/ViygATMy5nW2MICSSDp7eQ
Também não tenho muito o que comentar da ressaca do nacional, onde infelizmente ouvi do Rogerinho se eu tinha como ganhar vida. https://moxfield.com/decks/1GygATJGIniHy-6KQO71WA
Agora das ultimas 3 etapas da lpp, onde a lista foi pouco alterada, tenho bastante a dizer.
Primeiro no Polar, onde firestorm realmente fez toda a diferença, nas partidas q elas vieram garantiram a vitória, tanto contra madness e monored, e também destaco um side forte que me fez ganhar de camarão. Perdi para terragedom, Feb e goblin welder, pilotados por Jadi, Zóio e Matheus Marques, ou seja, decepção zero perder para esses 3 monstros do formato.
https://moxfield.com/decks/5pGgAT14jXatVa5Z219pAw
Fui bem confiante para Jundiaí prestigiar a primeira etapa naquelas terras e estava bem confiante. Partida épica contra o Ricardo Barros onde quem fez firestorm melhor levou, no caso ele. Até o top 8 as partidas foram truncadas, mas acabei me beneficiando de um bye na última para passar ao top 8 contra goblins. Não comprei firestorm nem simoon e acabei sendo punido por um Goon que levou o duelo. Lista: https://moxfield.com/decks/DiKhAcuFv3a-QZAFWCG3ag
Acabei ficando de cama a semana toda entre essa etapa e a lpp na bazar, então pelo primeira vez em seis meses eu acabei repetindo uma lista. Os antibióticos fizeram efeito e acabei chegando em boas condições no sábado, onde no suiço perdi apenas pro Voodoo de FEB, onde destrui a survival e ele comprou outra, me punindo de Akroma. Também destaco uma partida muito épica contra o Lucas de psychatog, jogo foi pros 5 turnos e acabei vencendo dando dano com ghitu e voltando com a fortaleza de Volrath para fechar no quinto turno da prorrogação. Tava em um dia inspirado, o que se confirmou até chegar a final, onde ofereci a vaga ao Mojeh em troca da Gaea’s blessing e o booster de campeão. Lista repetida: https://moxfield.com/decks/L0qhAXijjHOloQd0Pywk-w
Foram 6 meses jogando com esse deck divertidíssimo, trocando uma cartinha ou outra, deixando ele com a minha cara. O spicyness do deck na mtg decks bateu 66%! Acho que toda essa saga mostra que se você gosta de um deck do premodern, seja ele qual for o tier, case com ele e seja feliz. Uma hora os resultados chegam, mas a diversão é o que vale. Menos se for Stasis, ai eu recomendo que você vá jogar bocha.
Além de me divertir, fiz resultados que me garantiram créditos para as mais diversas groselhas, mas isso é assunto para outro post. Obrigado a toda essa comunidade, organização, lojistas, groselha crew e a você que me leu até aqui. Agora é conseguir liberação e mudar apenas uma carta e disputar a final da LPP <3
deck incrível, to jogando com a versão 10 e to conseguindo resultados honestos hahahah continue assim!
Além da dedicação ao deck, fica claro como você joga rápido e com propósito com ele. Excelente retrospectiva que mostra como no premodern há espaço para muita inovação