A Vitória demora, mas vem… a vitória demora mas vem…. A Vitória demora, mas vem… a vitória demora mas vem….
É no clima desse hino do sobrinho de Zeca Pagodinho, Juninho Thybau[1] – “a vitória demora, mas vem”, que humildemente começamos este artigo que se propõe a ser um epílogo da história do Premodern no Brasil até hoje… Dito isso, recomendo fortemente que você procure essa pérola do samba contemporâneo e o coloque baixo de fundo enquanto ouve a história que venho lhes contar…. Lá vou eu, saindo para o batente…. atrás de um amanhã melhor…
Salve Salve time, tranquilidade? Pra quem não me conhece eu sou o Manoel Pereira, vulgo Manolo, e tive o privilégio de ser convidado a contar um pouco sobre a história do Premodern no Brasil, e como a Liga Paulista Premodern (LPP) tem parte nisso.
O ano era 2019, e eu e meus trutinhas no Legacy em São Paulo já vivíamos um mal-estar coletivo com a hegemonia de decks e/ou cartas específicas no formato. Mesmo com o banimento do Deathrite Shaman em julho de 2018, o lançamento de W6 no primeiro Modern Horizons e de Oko no T2 deixou o que estava ruim ainda pior.
Foi nesse contexto que o Alex Morais, vulgo “Cowboy”, nos apresentou em uma LPL (finada Liga Paulista de Legacy) um “novo” e desconhecido formato que prometia entregar todo o saudosismo e nostalgia que os jogadores de Legacy na época gostavam, e não tinha decks insta win como os que estavam surgindo. Esse formato era o “Premodern” (ao mais novos, acreditem se quiser, o Legacy sempre foi rápido, mas não tinha tantos anabolizantes como tem hoje. Para nós na época, o primeiro Modern Horizons foi o limite que nos impulsionou a repensarmos a possibilidade de um novo mundo para o velho jogo.).
Então descobrimos o https://premodernmagic.com/, a constituição federal do formato, caso você seja um fã do estado democrático de direito, ou a bíblia do formato, caso você seja um neo talibã. Na época conhecíamos/tínhamos apenas uns cinco decks, eram o RG Goblins, UW Landstill, UG Madness, BG The Rock, e o WR Astral Slide. Eram com essas versões de clássicos da infância que eu, o Jadi, Rafael Navarro, Kim Diz, Fuzzy, Cowboy e outros parceiros nos divertíamos nos intervalos das rodadas da LPL ou depois de fazermos o consagrado 0-2 Drop.
Mas com o tempo nós fomos passando a querer mais do Premodern do que um “simples” for fun, não tanto pela infinidade de decks a ser explorados e detalhados, situação que felizmente perdura até hoje, mas principalmente porque queríamos ter uma opção sólida para o que Legacy havia se tornado, um formato eterno que de eterno não tem nada, onde as rotações mudam completamente o meta e, não obstante, você tenha que gastar dois mil reais por ano para atualizar o seu deck, você ainda precisaria de horas de atualização e estudo que te renderiam um MBA EAD, no mínimo.
Foi nesse afã que em 2019 o Premodern surgiu em São Paulo, pelo menos. Tal qual a Lavapés na baixada do Glicério[2], ou o Vai-Vai na Bela Vista[3], desde o início tínhamos entendido que cabia a nós, a comunidade, colocar nosso bloco na rua.
Se queríamos que esse formato desconhecido e não sancionado passasse a existir, dependia só da gente, e esse “a gente” conta com você aí que está lendo (aliás, obrigado por isso!), passar a organizar campeonatos, ligas, buscar espaços em lojas, criar conteúdo, bastante coisa, para não dizer tudo, mas era isso, ou não tinha Carnaval.
Entendemos que tínhamos um desejo de comunidade que somente pela comunidade seria possível materializar, por isso uma comparação com as primeiras escolas de samba do Brasil. Mas, respeitadas e guardadas as proporções, nossa missão era exatamente a mesma, criar algo nosso, para que nós pudéssemos existir, viver e nos desenvolver.
E foi assim que seguimos. Em 2020 com a fatídica pandemia qualquer chance de Premodern em papel foi suspensa, mas passou a surgir no mundo os campeonatos online por spelltable. O primeiro no Brasil que se tem registro foi em 13/04/21[4], e contou com cinco jogadores, número que como vamos ver foi nossa realidade por um tempo…
Com a segunda dose da covid para os 30+, categoria do jogador médio de Premodern, conseguimos realizar o primeiro evento em papel no Polar em 07/09/21[5] com doze jogadores. Aqui é importante destacar a proatividade e simpatia com o formato que o Polar e a Camila tiveram desde o começo, o que nós como comunidade somos eternamente gratos a https://www.polarjogos.com.br/. Se o formato existe no Brasil é porque a Polar Jogos foi um dos tijolos importantes nessa fundação! Esse evento ocorreu por iniciativa deles ao ver a motivação da comunidade que germinava naquele momento.
Foi finalmente em 29/01/2022 que conseguimos estrear a primeira Liga Paulista Premodern[6], uma liga que desde o início foi totalmente proxy friendely, permitindo 75 proxys, e que tinha seu modelo de competição quase totalmente baseado na LPL, que era muito virtuosa na época.
Essa estreia foi considerada um sucesso para nós, 17 jogadores em um evento físico em meio a uma pandemia e um top8 com sete deck diferentes:

Importante perceber como desde sempre a pluralidade de decks foi uma marca do formato e em como não há uma hegemonia do deck A ou do deck B, nessa época Parfait, Terravore, Replenish e Camarão eram legais e nenhum teve vez. O Oath do Jadi era para Akroma e Nishoba, quase um reanimate.

Foto da Primeira LPP da história, eu sou o de cinza no canto direito da foto ainda com cabelos e sonhos… A foto tem mais de 17 pessoas porque teve um evento Pionner no dia. Foto by Jorge Polar.
A LPP surgiu baseada na ideia de ser uma porta de entrada para quem quer jogar Premodern ter um campeonato fixo, sério e independente para jogar, e por isso, proxys sempre foram permitidas. Em um formato realmente fechado como esse, e totalmente comprometido mais com o prazer no jogo do que com a competividade em mais alto nível, entendemos que as proxys sejam fundamentais para que o formato exista. Phyrexian Dreadnought não será reprintado, assim como muitas outras cartas fundamentais ao formato, logo a possibilidade de proxys é o manterá nosso formato vivo para sempre!
Retomando, a LPP foi seguindo chegando a bater 28 jogadores em abril de 2022, número que foi nosso recorde até a primeira etapa de 2025:

Foi quando em 2023 uma nova epidemia tomou conta do formato, mas desta vez de paternidade. Tínhamos consolidado uma comunidade de cerca de 25 jogadores que não conseguíamos superar, porém ao longo de 2023 cerca de um quarto da comunidade virou pai, ou se casou, fenômenos muito comuns ao jogador médio de Premodern e seus 30+ anos…, situações que diminuíram muito nosso plantel de atletas.
Enquanto isso, desde 2022 tentávamos sedimentar campeonatos semanais na Omni ou na Bazar de Bagda. A experiência na Bazar não chegou a três meses, nunca tendo batido mais de seis jogadores, na Omni a situação foi um pouco mais resistente, chegando a durar quase um ano, mesmo tendo etapas com 4 ou 6 jogadores por semana, quase sempre os mesmos guerreiros que por terem feito o formato acontecer desde trás merecem ser lembrados, como o Jadi, Felipe Roseiro, Rafael Gastim, Peterson, Marco Iamafuku, e outros apaixonados pelo Magic de verdade, aquele que é necessário pensar sobre as jogadas e que a carta não ganha nada sozinho.
Mas mesmo sem êxito nos semanais, e com as ligas cada vez mais comprimidas, sob a Batuta do lendário Ricardo Rofellos Barros abrimos o Premodern Brasil no Youtube (https://www.youtube.com/@premodernbrasil/featured ) para subirmos nossas partidas online no intuito de gerar algum conteúdo que engajasse o formato.
Mas foi em 2024 que tudo mudou. Apesar de ser o ano com os piores números da LPP da história, tendo etapas com 9 ou 8 jogadores, números mais baixos até do que do ano de estreia, passamos a ter semanais se consolidando pela cidade. Nossa “pentelhação” (e não tem palavra melhor) para cima dos lojistas e dos amigos finalmente rendeu resultados.
A Medieval Cards foi a primeira de forma orgânica a criar seu semanal, fato que foi seguido pelo Polar e depois pela Epic, após mais de dois anos de insistência em cima do Elba e do Inglês.
Inclusive ter chegado a criadores de conteúdo notórios e estabelecidos como o Elba, que tenho o privilégio de chamar de amigo, e o menino do Um Motivo que eu não conheço, mas considero pakas, ajudaram a fazer com que o formato furasse a bolha pela primeira vez.
Nós da LPP entendemos como fundamental para a saúde do Promodern a criação de conteúdo sobre o formato, em especial feito pela própria comunidade, seja através da transmissão de gameplays ou comentando deckbuilds, como o brilhante Daniel Coser faz no Excelente Groselha Crew (https://www.youtube.com/@GroselhaCrewMtg), o carismático Henrique Necr000 no https://www.youtube.com/@necr0000, e a Máquina de Monoreds Ricardo Matanna no https://www.youtube.com/@RootsMTG .
Então se você está pensando em produzir conteúdo Premodern a resposta é, simplesmente faça! O formato precisa disso, e o formato precisa de você! Para o que você precisar de ajuda na divulgação procure os nossos contatos e a mágica acontecerá.
Acreditamos que graças a esse trabalho de anos, apostando na criação de conteúdo, múltiplos campeonatos, o formato se apresentou para a comunidade Magic para verdadeiramente existir por si só! O Premodern não é mais um bloco de bairro, agora o Premodern é apoteose no Sambódromo, a Bateria é nota DEZ, e está no CLM, na lojinha, e fizemos até o tão sonhado Nacional Premodern com 225 jogadores[7], um dos maiores campeonatos de premodern do MUNDO!
Hoje em dia as temporadas da LPP rodam cerca de 200 jogadores inéditos e dividem mais de DEZ MIL REAIS para o TOP8 da final!
Por isso, se você nunca viu o verdadeiro magic acontecer….. joga premodern pra ver, jogar premodern pra ver… quem nunca viu venha ver!!![8]
[1] Fala pra mim que se você pudesse imaginar como seria um goblin sambista ele não seria exatamente assim?

https://www.youtube.com/watch?v=y9zptZ43vF4
[2] https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2023/02/21/madrinha-de-mais-de-40-ela-criou-escola-de-samba-pioneira-em-sp.htm
[3] https://aterraeredonda.com.br/vai-vai-95-anos-de-samba/
[4] https://www.tcdecks.net/deck.php?id=36926
[5] https://www.tcdecks.net/deck.php?id=37492
[6] https://www.tcdecks.net/deck.php?id=37774
belo relato de nosso comendador
que venha o artigo contando a história dos tribal wars!
Parabéns pelo material, o Premodern é algo que nos faz lembrar do Bom tempo do MTG, seguimos aqui no RJ tentando expandir os semanais e consolidar ainda mais o mensal onde já temos mais de 30 jogadores, e a produção de conteúdos e avanços em SP ajuda muito o formato, contem com o Premodern RJ para ajudar nosso querido formato
Belíssimo relato, doutor Manolo! Contem comigo pra continuar ajudando o crescimento do único formato possível do MTG!
O Premodern é onde a essência do magic que crescemos jogando vive!
Cheers,
Bitner